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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

INSPIRE-SE




O que é a inspiração? É Sublimação da alma?
É vaguear por caminhos distantes?
Ou construir idéias ou pensamentos errantes?
Insinua, dissimula e engana a razão
Domina a consciência e dá vazão ao coração.
De repente me vejo numa infusão divina
Que me inquieta, agita e me faz pensar
Desconstruindo e inundando o meu ser.
Cria e elabora, projeta e reconstrói
Uma nova visão, uma nova sensação.
Quando me dou conta perco a lucidez.
Sóbrios ficam os olhos e a pele a umedecer
Ofegante e em descompasso
Ouço o silêncio da minha insensatez
Inspirando e excitando os enredos da vida
E a beleza de escrever.



Autor: Raul Nogueira Nogstory
Blog: Nogstory.blogspot.com
Twitter: @Nogstory / Email: Nogstory@gmail.com

sábado, 6 de agosto de 2011

Amor Prepotente

                                      



Eu amo a minha amada que me ama tanto
Que devido aos seus encantos, encantou o meu amor.
Que no primeiro olhar se apaixonou e desassossegou
Suspirou, suou e me beijou intensamente sem tocar os meus lábios.
Este amor que do nada se alarmou incendiou o meu viver
Que mudou o meu destino e desfez os meus sonhos
Tornando-os realidade, dando-lhe novos rumos e uma nova vida.
Os amores de outrora não passaram de uma paixão,
Este amor de agora, transformou-se numa imensidão.
Um amor intenso, que preencheu o meu ser,
Que alimenta a minha existência e me faz prevalecer.
Eu amo a minha amada que me ama tanto
E sei que sem mim, também não conseguirá sobreviver.


Autor: Raul Nogueira Nogstory
Twitter: @nogstory / Email: nogstory@gmail.com

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Escritor, o feiticeiro das palavras

Ricardo Gondim

O escritor é desalmado que ciranda com sentimentos alheios. Para escrever de verdade, nunca considera os danos que possa causar. E quando pensa no bem que espalha, imagina-se incapaz.
O escritor é doído.  Não conheço nenhum que nunca apanhou de mentores, professores, gramáticos. Esmagados no cadinho do sofrimento, muitos passaram fome; conhecem as bordoadas da vida. Quem não se vale do próprio sangue para desenhar palavras, produz textos insípidos e inodoros. Texto parido sem dor é pinto de incubadora.
O escritor é desvairado. Suas divagações, personagens e mundos não passam de maluquices; mas que maluquices! De onde vem a imaginação que o faz delirar? No transe, enxerga o imperceptível, navega no mistério, descreve o insólito, adensa o intangível. Quem lhe deu faro fino para narrar, com precisão, as contradições na alma humana? Por que suas estórias parecem histórias?
O escritor é porta-voz do sobrenatural. Impossível não suspeitar que por detrás dos melhores textos não haja pacto escondido, eleição misteriosa. Todo o escritor é possesso.  Forças estranhas, aliás, estranhíssimas, o dominam. Esse deve ser o motivo de tanta perseguição aos livros. Ele canaliza uma força que amedronta os amantes do poder. Os livros queimados, os "Nihil Obstat”, os “Imprimatur", atestam o medo dos opressores diante da página impressa, copiada, datilografada, mimeografada, digitalizada, faxeada ou imeilizada.
O escritor é solitário. O lugar de trabalho já o torna asceta, anti-social. Diante do teclado, vira parente de faquir, trapista, anacoreta. Enquanto produz, não considera seu deserto uma privação. Ele adora o silêncio, vive a reclamar dos dias ensolarados e alegra-se com nuvens escuras. Viciado em letras, tudo vira desculpa para trancafiar-se. Ninguém deve se melindrar com escritor de resposta monossilábica. Geralmente, o escritor não tolera alongar conversa.
O escritor é hipnotizador. Seu poder de sedução supera os encantadores de serpentes . Também mágico, consegue ludibriar até crítico literário. Podem xingar qualquer escritor de "bruxo que enfeitiça com palavras" e ele vai considerar elogio. Também não se ofende quando tratado de "padeiro que transubstancia sua carne em pão". 
O escritor é profeta. Docente do céu, interprete de oráculo divino, ele se esmera em construir pontes entre dois mundos: este, empoeirado, e o que transcende, eterno.
Mesmo quando escreve na areia, suas palavras nunca passarão - alguém vai talhá-las nas tábuas do coração.
 Soli Deo Gloria.
25-07-11